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Entrevista Brasil Diverso
Artigo publicado originalmente O Tempo - Economia

Empresas com funcionários de raças e gêneros variados têm receita maior

JULIANA GONTIJO

PUBLICADO EM 05/06/18

Apostar na diversidade do quadro de funcionários pode ser um bom negócio para as empresas. “Elas lucram 30% a mais”, calcula a presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos, seção Minas Gerais (ABRH-MG), Eliane Ramos de Vasconcellos Paes. Já um levantamento da consultoria McKinsey and Company mostra que as instituições com maior diversidade racial e de gênero conseguem um retorno financeiro 35% maior que a média do setor. A pesquisa foi feita com grandes empresas de América do Norte, América Latina e Reino Unido.

Embora os resultados financeiros possam ser melhores, ainda existem muitos desafios a serem enfrentados no que se refere à inclusão, já que 61% dos funcionários LGBT escondem sua condição de colegas e gestores, conforme dados do Center for Talent Innovation, divulgados por Bárba Vieira, ativista dos direitos das mulheres e visibilidade lésbica. Ela foi uma das participantes do Fórum ABRH-MG, que aconteceu nessa segunda-feira (4), no Ouro Minas Palace Hotel, em Belo Horizonte. O tema do encontro, que teve 526 inscritos, foi “Inovar a gestão pela diversidade”.

A pesquisa mencionada por Bárbara inclui vários países, entre eles o Brasil. “E quem é assumido evita falar sobre isso no horário de trabalho, e ainda altera o comportamento para poder se integrar com seus colegas e se encaixar no padrão exigido”, acrescenta.

E conseguir um cargo de chefia é ainda mais difícil para um integrante da população LGBT, já que, segundo pesquisa da empresa de recrutamento Enlacers, 38% das empresas brasileiras não contratariam pessoas que fazem desse grupo para cargos de chefia.

E não é só o levantamento da consultoria McKinsey que mostra que a diversidade contribui para que os resultados financeiros das empresas sejam mais positivos. Estudo divulgado em fevereiro deste ano, feito pela DDI, empresa de análise e pesquisa, e pela Ernst & Young (EY), mostra que empresas que tiveram 30% de diversidade de gênero e mais de 20% no nível sênior apresentaram melhores resultados financeiros na comparação com as demais corporações.

Onde há diversidade significativa, a chance de crescimento sustentado e lucrativo é 1,4 vez maior. Nas empresas com maior diversidade, a chance de os líderes trabalharem de forma colaborativa para criar novas soluções e oportunidades é duas vezes superior.

Liderança. As mulheres representam, atualmente, menos de um terço dos papéis de liderança (29%), segundo pesquisa da Ernst & Young (EY) e DDI, junto a 2.400 empresas, de 54 países.

Informação reduz o preconceito

Para diminuir o preconceito, é necessário fornecer mais informações às pessoas, alerta a advogada Graziella Rose, vice-presidente da Comissão OAB Vai à Escola, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), e membro da Comissão de Promoção da Igualdade Racial. “A educação pode ajudar, pois tem um poder transformador”, ressaltou durante o Fórum ABRH-MG, que aconteceu nessa segunda-feira (4), na capital.

Ela relatou os preconceitos que já sofreu no mercado de trabalho. “Eu era a única negra em vários lugares, era como se eu não pudesse estar lá. Só que eu posso estar onde quiser”, afirmou.

O líder do Núcleo de Pesquisas em Ética e Gestão Social da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas), Armindo Teodósio, ressaltou ainda que é preciso “desaprender os preconceitos”.

A analista comercial e de relacionamento com o cliente da DMT Palestras, Patrícia Augusto, que é trans, lembrou que as empresas precisam lidar com a diversidade de maneira inovadora. “O processo seletivo pode ser traumático para a pessoa que está buscando uma vaga”, disse. Ela aconselha um novo olhar para a diversidade. “Busque o que há de melhor nela”, frisou.

A presidente da Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da OAB-MG, Ana Lúcia de Oliveira, relatou suas dificuldades e destacou a importância da forma de tratamento para as pessoas que têm deficiência física e mental. “As pessoas têm as suas especificidades. Agora, queremos ser tratados como pessoas capazes, que conseguem exercer diversos tipos de atividade”, ressaltou.

 

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