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Boas Práticas
Entrevista Brasil Diverso
Artigo publicado originalmente Isto é Dinheiro

Gênero e raça no mundo corporativo

Das medidas de ações afirmativas direcionadas a grupos historicamente excluídos, as mais eficazes têm sido as que focam no universo feminino. Embora ainda encontrem muitas disparidades salariais, até mesmo quando exercem o mesmo cargo de um homem, as mulheres têm avançado mais que os negros. Isso só não acontece quando o quesito leva em consideração gênero e raça, pois aí sim recebem dupla discriminação, o que coloca as mulheres negras na base da pirâmide do mercado formal de trabalho, mesmo sendo as mulheres negras o grupo que mais tem crescido na escala educacional do País, segundo dados do PNAD.

O universo feminino, porém, conta com outros desafios no mercado de trabalho, que vão muito além chão de fábrica da empresa e do holerite salarial dessas mulheres. A dupla (e por vezes a tripla) jornada de trabalho, aliada à posição de chefia de famílias e maternidade, fazem com que as mulheres muitas vezes sejam obrigadas a se tornarem super-heroínas dos tempos modernos.

Sobre os desafios e os novos estudos envolvendo a temática, conversamos esta semana com a consultora Denise Hirao, especialista em Direitos Humanos e Igualdade de Gênero. Denise assessora fundações, empresas e instituições internacionais no desenvolvimento de projetos voltados para a Igualdade e os Direitos Humanos, nos Estados Unidos. Coordenou o programa de apoio financeiro e técnico a organizações de mulheres da América Latina da International Women´s Health Coalition e, antes disso, foi assessora do Secretário da Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo, onde liderou um núcleo de cidadania e direitos humanos naquela pasta. Com mestrado em Direito Internacional dos Direitos Humanos, na Notre Dame University (EUA), tem se especializado na questão gênero no mundo do trabalho.

A senhora tem se dedicado a estudar e a analisar as relações e as políticas de equidade de gênero no mercado de trabalho nos últimos anos, o que lhe impressiona mais pelo avanço e também o que mais lhe impressiona pelo atraso sobretudo no mercado de trabalho brasileiro?

O que mais me impressiona negativamente é a naturalidade com a qual a maioria das empresas brasileiras ainda ignora o tema da desigualdade entre homens e mulheres, como se ela não existisse. Não percebem que a diversidade – de gênero, de raça e todas as diversidades – deveria ser prioridade de qualquer empresa que não queira ficar para trás. É hoje um valor do nosso tempo.

Se não começarem a se mobilizar, essas empresas serão atropeladas pela realidade atual, em que as pessoas cada vez mais demandam respeito às suas identidades. Elas sofrerão adiante as consequências de não estarem em sintonia com seus diversos públicos – acionistas, funcionários, consumidores, financiadores etc.

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