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Entrevista Brasil Diverso
Artigo publicado originalmente Por Daniela Damasceno - Money Report

Só 4,5% dos cargos estratégicos no Brasil são ocupados por negros

A inclusão de raça e gênero no ambiente corporativo ganhará novo impulso a partir do dia 16 de maio, quando será lançada em São Paulo a plataforma digital Brasil Diverso. A ideia do projeto é debater e apresentar caminhos para o aumento da diversidade nas empresas. O cenário é dramático. Segundo o cartunista e escritor Maurício Pestana, idealizador do projeto, só 4,5% dos cargos estratégicos do Brasil são ocupados por negros, que representam mais de 50% da população.

Como surgiu a ideia do lançamento da Plataforma Brasil Diverso?

Começou quando eu era Secretário da Igualdade Racial de São Paulo e criei o projeto São Paulo Diverso, que era uma espécie de Fórum que discutia a inserção de negros em cargos estratégicos no mercado de trabalho. Quando terminou o meu mandato, o projeto foi encerrado também. Então, fui procurado por um grupo de empresários para levar a proposta para a iniciativa privada. Foi assim que desenvolvi a plataforma.

Como a plataforma funcionará?

No site, as empresas vão encontrar informações sobre como trabalhar ações afirmativas e a inclusão de negros em cargos estratégicos. Contaremos com artigos sobre o tema e bate-papos com o público para esclarecer dúvidas sobre diferenças salariais e a legislação do país. Além disso, as empresas que aplicarem ações afirmativas também terão espaço para divulgar seus trabalhos. O modelo é inédito no Brasil.

O que o projeto fará, efetivamente, para o aumento das ações afirmativas?

O mais importante na hora de aplicar uma ação afirmativa é mostrar as razões para fazer isso. A questão racial ainda está camuflada no Brasil e a plataforma irá combater esse cenário.

Serão debatidas outras políticas afirmativas além da racial?

Vamos priorizar, em um primeiro momento, o debate sobre questões raciais e de gênero, depois ampliaremos um pouco mais. Vamos focar nestas duas áreas por serem as mais difíceis de se trabalhar nas empresas do Brasil.

Uma pesquisa da revista americana Fortune apontou que a diversidade nas 500 maiores empresas americanas diminuiu. Atualmente, apenas quatro negros ocupam cargos de CEOs nas principais companhias do país. O número mais alto foi em 2007, com sete negros nestas posições. 

Concordo que é triste a realidade nos Estados Unidos. Mas, ao mesmo tempo, é preciso lembrar que a população negra do país corresponde a 13% do total.  É mais triste ainda olhar para o Brasil. Aqui, mais de 50% dos cidadãos são negros, mas eles estão em apenas 4,5% dos cargos de liderança.

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